PRIMEIROS VERSOS


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primeiros versos


NEL MEZZO DEL CAMIM…


Olavo Bilac
Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha…

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje segues de novo… Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.


NEL MEZZO DEL CAMIM…


Olavo Bilac
Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha…

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje segues de novo… Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.



PLIM, TRIM E TOC TOC

Joyce Helena Ferreira dos Santos

Plim, Plim, Plim
É o barulho da chuva
No telhado
Trim, Trim
Meu telefone
Te chamando
ToC, Toc TOC
Faz meu coração
Para você amor
E o grilo
Lá fora
Cri, Cri, Cri
Mas o que me toca
Não são só os seus beijos
Toca toca toca
Meu corpo
e o coração agitado
abre e você entra
E você com muita elegância
Passeia e mora no meu coração
E ai João
você é que vive
no meu coração.


MULHER

Joyce Helena Ferreira dos Santos

Uma flor,
Semeada em solo arenoso
Que abre toda manhã
Às vezes não tão aberta
Como gostaria de estar
Mas, viva, altiva, corajosa,
Com seu perfume,
Espalha no ar a sensibilidade
Carinho, enfim toda a emoção
às vezes frágil,
Mas com a sua persistência
E paciência
Desmorona montanhas…


VAI E VEM

Joyce Helena Ferreira dos Santos

Vai e vem
a onda do mar
Vai a noite
Vem o dia
Surgem o sol e a chuva
Amor e paixão
Amizade e Inimizade
Vai e vem
Não se sabe
Às vezes se vai
E às vezes se vem
E assim a vida vai
Vai e vem
Constante
O ponteiro do relógio
Vai e vem
Aquele passarinho vai e vem
E isto me lembra
O parquinho da minha infância
O vai e vem do balanço
E a minha memória
também vai e vem
Me vejo jovem
Daqui a pouco vem a velhice
Os anos vividos, os amigos
Os amores, as paixões
E penso que
A vida vai
A vida vem
E daqui a pouco
Não se sabe mais
Quem é que vai
Quem é que vem…..



CANÇÃO DO TAMOIO

POSTED ON  BY DEIDIMAR

Antônio Gonçalves Dias

I

Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.

II

Um dia vivemos!
E o homem que é forte
Não teme da morte;
Só teme fugir;
No arco que entesa
Tem certa uma presa,
Quer seja tapuia,
Condor ou tapir.

III

O forte, o cobarde
Seus feitos inveja
De o ver na peleja
Garboso e feroz;
E os tímidos velhos
Nos graves concelhos,
Curvadas as frontes,
Escutam-lhe a voz!

IV

Domina, se vive;
Se morre, descansa
Dos seus na lembrança,
Na voz do porvir.
Não cures da vida!
Sê bravo, sê forte!
Não fujas da morte,
Que a morte há de vir!

V

E pois que és meu filho,
Meus brios reveste;
Tamoio nasceste,
Valente serás.
Sê duro guerreiro,
Robusto, fragueiro,
Brasão dos tamoios
Na guerra e na paz.

VI

Teu grito de guerra
Retumbe aos ouvidos
D’imigos transidos
Por vil comoção;
E tremam d’ouvi-lo
Pior que o sibilo
Das setas ligeiras,
Pior que o trovão.

VII

E a mãe nessas tabas,
Querendo calados
Os filhos criados
Na lei do terror;
Teu nome lhes diga,
Que a gente inimiga
Talvez não escute
Sem pranto, sem dor!

VIII

Porém se a fortuna,
Traindo teus passos,
Te arroja nos laços
Do inimigo falaz!
Na última hora
Teus feitos memora,
Tranqüilo nos gestos,
Impávido, audaz.

IX

E cai como o tronco
Do raio tocado,
Partido, rojado
Por larga extensão;
Assim morre o forte!
No passo da morte
Triunfa, conquista
Mais alto brasão.

X

As armas ensaia,
Penetra na vida:
Pesada ou querida,
Viver é lutar.
Se o duro combate
Os fracos abate,
Aos fortes, aos bravos,
Só pode exaltar.



PIED PIPER

Edvan Ferreira

Edivan

Edvan Ferreira, biriguiense, 25 anos, com aptidão para desenho apresentada já na infância, expõe seus trabalhos em seu blog e nas redes sociais. Na Música atua como flautista na Corporação Musical “Maestro Antônio Passarelli” de Birigui desde 2008 e em outros grupos. Estudante de Licenciatura em Matemática no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, Campus Birigui; atualmente se dedica à exploração das conexões entre Arte, Música e Matemática em busca de novas significações.

Conheça o blog do autor:

http://edvanfmonster.blogspot.com.br/

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Este desenho é a capa da Antologia Literária – FLIBI – 2015: Arte de Transformar,  Birigui: Editora Pindorama, 2015. A obra faz parte das atividades do 2º FLIBI – Festival Literário de Birigui (SP), organizado pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Birigui (SP).  Baixe grátis!



O FUNDAMENTO


Lucas Rinaldini

Nossa herança nos foi deixada sem nenhum testamento.

René Char

A cidade de Párvua tem aproximadamente três mil habitantes e o dobro de histórias para contar. Dizem que em cidades assim, cada pessoa deveria ter um gato para cuidar das sete vidas do bichano em vez de cuidar da vida do vizinho.

Pois bem, é em lugares assim que ocorrem fatos muito curiosos, verdadeiros laboratórios sociológicos para pesquisas que só comprovam o que meia dúzia já sabe e reforça a teimosia em se manter ignorante dos outros seis.

Nessa cidade temos uma rapaz chamado Jesus que trabalha numa fábrica de móveis com seu amigo Kefas. Ambos se dão bem, a não ser por algumas divergências não muito graves, pelo menos até o presente dia.

A questão é que Jesus é ateu ou no mínimo não liga muito para as coisas da religião e Kefas é crente fervoroso, um religioso ao pé da letra, mas apesar dessa diferença, os colegas de trabalho não têm problemas de convivência, exceto por algumas investidas de Kefas a fim de converter Jesus.

Dentre essas investidas, houve o dia em que Kefas foi até o setor das serras e “esculpiu” uma cruz para dar a Jesus que recebeu o presente com gratidão e mesmo sendo ateu, tinha conhecimento de que o Jesus da Bíblia havia sido pregado em uma daquelas. Chegou até a brincar com o ingênuo amigo dizendo se não era um presente meio impróprio considerando o nome que tinha e que o Original havia tido maus momentos em uma daquela. Kefas disse que não, que era um símbolo de salvação.

Em outro momento, Kefas perguntou a Jesus:

 Irmão, por que te colocaram esse nome tão bonito?

– Minha mãe era muito religiosa, meu caro – respondeu Jesus. Ao que Kefas continuou:

 Mas rapaiz, e você num acredita no Nosso Senhor?

– Ah, Kef, é uma coisa minha. Não sei se você entende.

– Você deveria deixar Deus tocar seu coração.

– Haha, meu coração não é viola, compadre – redarguiu Jesus em tom de brincadeira.

Essas eram típicas conversas de intervalos, idas ao banheiro e cafezinho e faziam parte do dia a dia do pessoal do trabalho. Não tinha nada que a rádio peão não noticiava. Dentro de fábricas as notícias correm muito rápido e no dia em que Jesus começou a namorar uma moça, todo mundo já sabia e perguntava detalhes. Muitas vezes as brincadeiras do pessoal eram um pouco pesadas com gracejos sobre a aparência da garota, querendo saber o que já havia acontecido, enfim, assuntos que ocupam boa parte das conversas masculinas. Menos Kefas que dava conselhos baseados na pureza que deveria haver nas relações entre homens e mulheres.

 Você precisa casar, Jesus. Até quando vai viver em pecado com sua namorada?

Jesus ficou um pouco chateado com esse comentário. É muito comum que pessoas se incomodem quando se diz que elas estão cometendo um pecado ou que estão erradas em algo, pois, no fundo de tudo isso, existe um julgamento e ninguém gosta de juízes da vida alheia.

Em outra ocasião, a fábrica toda ficou meio atordoada com a severidade com que Kefas seguia a Bíblia. Ele comentou, em um desses momentos de intervalo, que quando sua mulher está na época das regras, ela dormia numa rede do lado de fora de casa. Dizia ele: – Está em Levítico! Não sei bem em qual capítulo, mas meu pastor disse que elas ficam impuras! A Bíblia disse!

Chegou dezembro e também o aniversário de Jesus e o pessoal da fábrica de móveis tinha o hábito de cantar um parabéns, comer um bolinho e tomar uma tubaína. Kefas fez questão de ficar responsável pelo bolo e lá vinha ele trazendo-o.

Quando Jesus foi cortar o bolo, sentiu que estava muito duro. Pensou que talvez Kefas tivesse errado na receita e não quis fazer desfeita. Colocou um pouco mais de firmeza no corte, que ocorria de baixo para cima obviamente, e eis que do bolo foi eclodindo, erguida pela faca, rompendo com esplendor o glacê, uma Bíblia dentro de uma embalagem de celofane furta-cor.

Uma surpresa para todos, já que ninguém nunca havia presenciado um bolo dando à luz uma Bíblia. Foi de um simbolismo incrível, de uma criatividade tão admirável quanto assustadora. Depois que cada um pegou um pedaço não muito regular do que sobrara do bolo, Jesus guardou a Bíblia com muito cuidado e prometeu a Kefas que a leria. O amigo religioso tinha um brilho nos olhos que, se não fosse conhecido por ser tão cristão, poder-se-ia dizer que era um brilho satânico.

Enfim, dias se passaram e a rotina voltou à fábrica de móveis de Párdua. E numa bela quinta-feira, Jesus veio procurar Kefas para lhe perguntar algo que lera nas sagradas escrituras provenientes do confeito:

 Amigo, você sempre nos diz que devemos seguir a Bíblia à risca, pois é a palavra de Deus.

– Isso mesmo, meu irmão – respondeu Kefas com sorriso acolhedor.

– Pois li uma parte do evangelho em que diz que se nossa mão pecar, devemos cortá-la, pois é melhor entrar no reino dos céus sem uma das mãos do que ir para o inferno e perder o corpo todo.

Kefas olhou bem para Jesus. O sorriso acolhedor já havia se acabado. Estaria o amigo tentando colocá-lo em dúvida? Seria uma tentação? Como a Bíblia poderia trazer algo horrível assim?

Mas Jesus trouxe marcada a página em que havia lido tal passagem. Na verdade, sua intenção era mostrar a Kefas que não se deve levar tudo tão a sério. Quem sabe assim ele cessaria suas investidas de conversão que ficavam a cada dia mais intensas e também desagradáveis. Tudo pela conservação da amizade.

Kefas leu. Era aquilo mesmo que Jesus havia dito. Tanto o seu amigo quanto o da Bíblia. Ficou atônito. Conferiu a edição. Verificou se de fato era aquela que tinha dado de presente no bolo… Era. Sua dedicatória estava lá com sua assinatura. Continuou atônito. Não piscava. Tinha entrado em choque.

Jesus ainda perguntou o que estava acontecendo. Tentou dar uns tapinhas no rosto do amigo, mas a única reação foi Kefas virar-se e sair andando rumo aos banheiros. Jesus ficou mais tranquilo. O amigo ia jogar um pouco de água fria no rosto para voltar à realidade. Seu objetivo parecia ter sido alcançado.

Dez minutos depois, ouve-se um grito na fábrica toda. É que no caminho dos banheiros também ficava o setor das serras. Todos correram para lá e encontraram Kefas ajoelhado diante das serras ainda ligadas e uma enorme poça de sangue. Kefas havia serrado as próprias mãos.

O desespero tomou conta e todos correram para socorrer o colega de trabalho. Agora quem estava atônito era Jesus. Em poucos minutos a ambulância chegara. O curativo que os colegas de Kefas haviam feito para estancar o sangue serviu para aguentar até a chegada dos paramédicos.

Saindo de maca, Kefas, ainda consciente, olhou para o amigo e disse:

 Obrigado, Jesus!

Os demais colegas não entenderam bem. Só Jesus sabia de tudo. Mais tarde, ele relatara o fato repetidas vezes para cada colega que vinha perguntar. Era um martírio, uma agonia. No dia seguinte, a notícia do acontecimento já se espalhara por toda cidade.

A Kefas, mensagens de carinho, de melhoras, cartões com frases de amor e da Bíblia, é claro. A Jesus, olhares raivosos, xingamentos e desprezo. A opinião pública o crucificara.

Lucas Rinaldini

Formado em Letras pela Faculdade de Ciências e Tecnologia de Birigui (FATEB), em História pelo Centro Universitário Toledo de Araçatuba (UNITOLEDO), pós-graduado em Assessoria Bíblica pela Escola Superior de Teologia de São Leopoldo (EST) em parceria com o CENTRO ECUMÊNICO DE ESTUDOS BÍBLICOS (CEBI) e pós-graduado em História Cultural pelo Centro Universitário Claretiano de Araçatuba (CEUCLAR). Atualmente atua como Assistente de alunos no Instituto Federal de São Paulo, câmpus Birigui e às vezes escreve alguns contos sem pretensão alguma.

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Conto publicado na Antologia Literária – FLIBI – 2015: Arte de Transformar,  Birigui: Editora Pindorama, 2015. A obra faz parte das atividades do 2º FLIBI – Festival Literário de Birigui (SP), organizado pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Birigui (SP).  Baixe grátis!






AMOR HOMEOÁTICO

Deidimar Alves Brissi


Minha vida era triste, vida sem graça, vida vazia.
Sem esperança, eu apenas sobrevivia sem solução.
Mas você chegou, de mansinho, disse que não ardia.
Fez anamnese e diluiu meus medos, sem indicação!

Você começou sem efeitos colaterais no fim do dia.
Quando descobriu meus segredos, fez a dissolução
E foi dinamizando meu amor como na Homeopatia.
Convenceu-me que era similar ao meu, seu coração.

Impôs a mim sua posologia e decidiu o meu caminho.
Doze em doze horas, de seis em seis, para curar a dor.
Disciplinadamente fez minha manipulação todo dia.

Agora é tarde, fiquei hipocondríaco do seu carinho.
Estou dependente deste dominador paregórico amor.
Agora sou só alegria. Você é cura da minha poesia!